quarta-feira, 9 de março de 2016

Crônicas Jarbas Avelar

 






O MUNDO DO CRIME




Os presídios brasileiros, reiterando o que é do conhecimento de todos, são controlados pelos sindicatos do crime organizado. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, criado em São Paulo, se estendeu por todos os presídios do País.

Os sindicatos estabelecem leis não escritas que regem a vida dos presidiários, tem o domínio dos presídios e o poder de decisão sobre a vida e a morte de qualquer pessoa, dentro e fora deles.   

Se o preso for integrante do mundo do crime, ao chegar à cela é recebido “na cordialidade”. Essa é uma das muitas leis não escritas que regem a vida dos presidiários. Entretanto, se preso for novato, ele é recepcionado pelo “piloto”, sempre escoltado por 4 presos leais a ele, a quem é dispensado o tratamento de “senhor” por todos os presos e carcereiros. O “piloto” faz o papel de juiz; decide as desavenças entre os presidiários.

Após a eleição do presidiário ao cargo de “piloto”, por voto direto dos membros da organização, seu nome é levado ao líder do presídio, o único autorizado a fazer contatos com a cúpula da organização. Na cúpula do PCC está Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e na cúpula do CV - Comando Vermelho, Fernandinho Beira-Mar. Embora presos e incomunicáveis em presídios de segurança máxima, seus assessores suprem suas ausências, fieis às estruturas das organizações. 

Primeira ordem ao novato: pagar R$500,00 pelo privilégio de dormir numa parte menos fedorenta da cela e R$300,00 por um colchonete. A ele é entregue um celular para fazer contato com a família e o número de uma conta poupança para o depósito dos R$800,00. A conta é de laranjas que recebem aluguel para ceder sua conta bancária para o crime. Para se livrar de assédio e estupro coletivo, o “piloto” negocia com o novato uma quantia a mais a ser depositada.

Feito o depósito, o “piloto” transmite ao novato as leis não escritas que disciplinam a vida nos presídios, momento em que se torna, compulsoriamente, integrante do crime organizado, comprometido com o pagamento de uma contribuição mensal, mesmo depois de solto.

Cresce, assim, o contingente da organização, sistematicamente, na chegada de cada novato aos presídios. Em lucro, o crime organizado supera muitos bancos e a tendência é emparelhar-se aos maiores num futuro muito próximo.

Em virtude dessa folgada situação financeira, o crime organizado dispõe de recursos para adquirir armamento sofisticado, patrocinar fugas mirabolantes, subornar policiais e carcereiros, dominar o tráfico de drogas, financiar assalto a banco, carro-forte, caminhões de carga, seqüestros, etc., e o         ex-presidiário que queira empreender um negócio dispõe de crédito junto à organização a juros de 5% ao mês. Essa engrenagem assegura à organização crescimento acelerado e ininterrupto.

Faltas imperdoáveis que são punidas com a pena de morte: não pagar dívidas, caguetar companheiros ou desviar dinheiro da organização.

As celas são escritórios de trabalho. Ao telefone o dia todo, os “pilotos” mandam matar, organizam sequestros e acertam o patrocínio de assaltos. Um criminoso ligado ao crime organizado pode ligar para um “piloto” e pedir liberação de dinheiro para a compra de armas, ou para o que for necessário. Depois devolve a quantia emprestada e mais 10% do produto do assalto. O PCC financiou famigerado assalto dos R$170 milhões do Banco Central de Fortaleza.

Como se vê, temos nossas FARCs (Forças Armadas Colombianas) e seus afiliados não estão mascarados e camuflados na selva; estão transitando entre nós pelas ruas.
Jarbas W. Avelar
Advogado e Escritor


 
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