sexta-feira, 29 de abril de 2016

Crônicas de Enio Ferreira

            Crônicas Simples
 

















Os brilhantes olhos de dona Rita Helena
 
A beleza dos olhos de dona Rita Helena é coisa Divina - azuis como um céu sem nuvens, brilhante como diamantes lapidados. E não era para estar tão belos assim, já que ela estava padecendo de dores agudas nos joelhos provocados pela artrose e pelas dilatadas veias das pernas por causa das varizes. Mesmo assim ela não deixava ninguém ali por perto, seus vizinhos e amigos, preocupados, buscando deixar todos felizes dizendo que estava melhorando.
 
Mesmo nos seus piores dias, com seus olhos sempre brilhantes e, agora, às vezes lacrimejantes, dizia que estava melhorando, que os joelhos estavam menos inchados. Mas, todos percebiam que isso não parecia a verdade, pois, ela se apresentava mais magra e com as pernas mais grossas. Infelizmente, pela lógica natural da vida, se torna muito difícil contornar a decadência do corpo humano. Quando se chega a certa idade em que o organismo passa a não responder aos tratamentos convencionais as perspectivas de cura são um tanto remotas.
 
Acontece que, para a lógica natural da vida, tem coisas, como a Fé, que podem contrariar essa mesma lógica. E, nesse caso, o que estava certo mesmo eram os brilhantes e belos olhos azuis da dona Rita Helena. Ela dizia que estava melhorando e estava mesmo. Com a sua Fé, força de vontade de sarar e, também, na sua insistente intenção em agradar os amigos, melhorou de vez das suas doenças.
 
Ainda temos muito que aprender na leitura do brilho nos olhos das outras pessoas. 
            
Enio Ferreira – ALAMI
 
 

terça-feira, 19 de abril de 2016

Crônicas da Adelaide

 


     REFLEXÕES COTIDIANAS 



Repassar o que pode ser útil para alguém é obrigação de todos aqueles que detém qualquer conhecimento. Ser receptivo e captar com sagacidade as novidades e informações oriundas de leituras, de amigos, de mestres, de consultas, de pérolas deixadas pelos filósofos, da observação pela pesquisa de campo é muito salutar e deve ser compartilhada.As informações do dia a dia, e os conhecimentos adquiridos, enriquecem a bagagem itinerante, que só tem valor absoluto, quando repassadas. “Os dias bons te dão felicidade, os ruins te mantém forte, as provas te mantém humano, as quedas te mantém humilde, mas somente Deus te mantém de pé”… “Quando um pássaro está vivo, come as formigas; quando morre, são as formigas que o comem”… “Tempo e circunstâncias podem mudar a qualquer instante, por isso não se pode desvalorizar o que está a nossa volta. Pode-se deter o poder hoje, porém o tempo é mais poderoso que qualquer um.” “Com uma árvore se faz milhões de palitos de fósforo, porém basta apenas um para acabar com milhões de árvores…” “O mérito da informação está em sua divulgação.” “Alegria da alma constitui os belos dias da vida, em qualquer época”. “Simplicidade é a Sofisticação máxima”… “Solidariedade é não esperar nada em troca”. “Sê apoio e defensor da vítima da opressão; sê um lar para aquele que perambula… Sê um balsamo para quem sofre; os olhos para um cego e uma luz para os pés errantes… Sê causa de júbilo, para o entristecido; um mar para o sequioso; um refúgio para o aflito…” “Tenha sempre palavras e braços confortadores para os angustiados e deprimidos…” “A mudança faz parte da lei da vida”… “ELE ERA TÃO POBRE, TÃO POBRE, QUE SÓ TINHA DINHEIRO”…Irmã Dulce Enquanto irmã Dulce fazia o curativo nas ulcerações inflamadas em um hanseniano, alguém disse à ela: “Não faria isso por dinheiro nenhum…! “Nem eu… Respondeu ela, sem olhar o interlocutor… “Você pode ter o controle do que faz, mas nunca do que sente…” Gustave Bom proveito para os leitores…

Adelaide Pajuaba Nehme- Acadêmica da ALAMI



quarta-feira, 9 de março de 2016

Crônicas Jarbas Avelar

 






O MUNDO DO CRIME




Os presídios brasileiros, reiterando o que é do conhecimento de todos, são controlados pelos sindicatos do crime organizado. O Primeiro Comando da Capital, o PCC, criado em São Paulo, se estendeu por todos os presídios do País.

Os sindicatos estabelecem leis não escritas que regem a vida dos presidiários, tem o domínio dos presídios e o poder de decisão sobre a vida e a morte de qualquer pessoa, dentro e fora deles.   

Se o preso for integrante do mundo do crime, ao chegar à cela é recebido “na cordialidade”. Essa é uma das muitas leis não escritas que regem a vida dos presidiários. Entretanto, se preso for novato, ele é recepcionado pelo “piloto”, sempre escoltado por 4 presos leais a ele, a quem é dispensado o tratamento de “senhor” por todos os presos e carcereiros. O “piloto” faz o papel de juiz; decide as desavenças entre os presidiários.

Após a eleição do presidiário ao cargo de “piloto”, por voto direto dos membros da organização, seu nome é levado ao líder do presídio, o único autorizado a fazer contatos com a cúpula da organização. Na cúpula do PCC está Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e na cúpula do CV - Comando Vermelho, Fernandinho Beira-Mar. Embora presos e incomunicáveis em presídios de segurança máxima, seus assessores suprem suas ausências, fieis às estruturas das organizações. 

Primeira ordem ao novato: pagar R$500,00 pelo privilégio de dormir numa parte menos fedorenta da cela e R$300,00 por um colchonete. A ele é entregue um celular para fazer contato com a família e o número de uma conta poupança para o depósito dos R$800,00. A conta é de laranjas que recebem aluguel para ceder sua conta bancária para o crime. Para se livrar de assédio e estupro coletivo, o “piloto” negocia com o novato uma quantia a mais a ser depositada.

Feito o depósito, o “piloto” transmite ao novato as leis não escritas que disciplinam a vida nos presídios, momento em que se torna, compulsoriamente, integrante do crime organizado, comprometido com o pagamento de uma contribuição mensal, mesmo depois de solto.

Cresce, assim, o contingente da organização, sistematicamente, na chegada de cada novato aos presídios. Em lucro, o crime organizado supera muitos bancos e a tendência é emparelhar-se aos maiores num futuro muito próximo.

Em virtude dessa folgada situação financeira, o crime organizado dispõe de recursos para adquirir armamento sofisticado, patrocinar fugas mirabolantes, subornar policiais e carcereiros, dominar o tráfico de drogas, financiar assalto a banco, carro-forte, caminhões de carga, seqüestros, etc., e o         ex-presidiário que queira empreender um negócio dispõe de crédito junto à organização a juros de 5% ao mês. Essa engrenagem assegura à organização crescimento acelerado e ininterrupto.

Faltas imperdoáveis que são punidas com a pena de morte: não pagar dívidas, caguetar companheiros ou desviar dinheiro da organização.

As celas são escritórios de trabalho. Ao telefone o dia todo, os “pilotos” mandam matar, organizam sequestros e acertam o patrocínio de assaltos. Um criminoso ligado ao crime organizado pode ligar para um “piloto” e pedir liberação de dinheiro para a compra de armas, ou para o que for necessário. Depois devolve a quantia emprestada e mais 10% do produto do assalto. O PCC financiou famigerado assalto dos R$170 milhões do Banco Central de Fortaleza.

Como se vê, temos nossas FARCs (Forças Armadas Colombianas) e seus afiliados não estão mascarados e camuflados na selva; estão transitando entre nós pelas ruas.
Jarbas W. Avelar
Advogado e Escritor


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Crônicas da Adelaide

                   





Assim caminha a sociedade






Uns acompanhados, outros só, mas todos em busca de algo… Até os que nada procuram, acabam por encontrar… Caminham em função de tudo que ai está; seres perambulantes em busca de esperança, contatos, alegria, paz, justiça, nutrientes e até o desconhecido; de forma ignorada buscam Deus. Pessoas vazias, insatisfeitas, desprovidas de verdades, de direções, calor humano, e de palavras… Caminham porque a inércia conduz a estagnação. Cada um com sua carga homérica, personificada ou não, de acordo com seus egos, atitudes e posturas. Uns encontram objetivos propostos, outros nem tanto, seguem caminhos distorcidos da equivalência. Analisar indivíduos ou pessoas é algo inerente à Sociologia; descobrir seus conceitos, dogmas, instintos, despercebidos até aos olhares dos que o cercam, é algo notório. A experiência fornece os instrumentos para se decifrar enigmas obscuros, porém muito transparentes aos olhos do conhecimento. A diversidade do ser humano retrata sua vida familiar, social e humana e se justifica pelas causas evidentes. Querer mudar isso traz consequências para principiantes… Uns gastam o que não têm, outros nada gastam… Uns “fino trato” sabem ser agradáveis, gentis e cordiais; outros “dono do Universo”, verdadeiros “pierrôs” fantasiados de “paxás”… O pensamento divaga em forma de incógnitas, e essa busca é permanente… Muitos conseguem visualizar respostas; Deus nem sempre responde imediatamente aos nossos anseios, talvez tenha propósitos diferentes para o filho, claro que a Seu tempo que se difere do nosso. Tudo tem seu preço… Quando se planta laranja, colhe-se laranja… As coisas materiais e espirituais se diferem no peso… O momento da quarentena santa é propício para se rever valores. Segundo Einstein “o Sucesso vem na frente do Trabalho só no dicionário”… É uma pena que o ser humano demore tanto para enxergar o lado Divino da vida. A passagem pelo Planeta é curta e maravilhosa, porém, segundo entendidos a vida eterna é que conta… O papel dos apóstolos é “cutucar” sempre com vara curta… “Nas horas difíceis não se deve baixar a cabeça, já que os problemas não estão no chão, mas sim na determinação”. “Independente do que está sentindo, levante-se, se vista e saia para brilhar” Saber lidar com dificuldades é sem dúvida uma arte. Conquistar a Deus que tudo pode, e que transforma o impossível em possibilidades, é também uma arte. A humanidade caminha e divaga… A busca será constante até o momento de sua entrega total…
 
                       
Adelaide Pajuaba Nehme- Acadêmica da ALAMI


domingo, 7 de fevereiro de 2016

Crônicas da Marleida

                






SABEDORIA

                      *Marleida Parreira Rocha


Estamos iniciando mais um ano, um portal desconhecido se abre à nossa frente, capítulos novos para as histórias de nossas vidas, momentos felizes ou surpresas que não gostaríamos de presenciar. A forma como pensamos e agimos com certeza contribuirá de maneira significativa para que tenhamos sucesso e sejamos abençoados nesse novo ciclo de nossa existência.
É através dos atos mais simples do dia-a-dia que revelamos o nosso caráter e precisamos estar vigilantes, pois, por um pequeno deslize de conduta, destruímos a boa imagem que construímos através de décadas aos olhos de nossos semelhantes. Certamente é sábio quem utiliza o conhecimento e as experiências acumuladas de forma sensata e elegante, porque diplomas e certificados muitos podem adquirir, mas a admiração e o respeito poucos conseguem conquistar. Alguns parecem acreditar que serão ouvidos pelos seus gritos, sem perceber que muitas vezes somos queridos ou repelidos de acordo com o tom de voz que empregamos. Outros só querem falar e se esquecem da relevância de saber ouvir, porque é certo que aprendemos muito mais ouvindo, que falando.
Devemos pedir a Deus que nos dê sabedoria para não criticar, sem antes tecer um elogio ou apontar uma solução; não julgar, para não correr o risco de ser injustos; não cobrar o que não formos capazes de oferecer; preferir auxiliar de que acomodar; agradecer ao invés de pedir; agregar mais que subtrair; conter-nos para não agir por impulso e depois nos arrepender; espalhar alegria e otimismo em vez de provocar intrigas e decepções; acolher sem excluir e ter sempre uma palavra de fé e conforto para os que porventura estiverem descrentes e desanimados.



*Marleida Parreira Rocha – Educadora
Ituiutaba, 28 de janeiro de 2016


quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

 





Whisner Fraga é considerado um dos expoentes da geração zero zero. Contato: whisnerfraga@yahoo.com.br


Carlinhos ajeita o braço de Pedro nos ombros da mãe. Mãe é colo. O menino se aquietae avança em seu sono cômodo e legítimo. O barulho, a música, o céu encrespado não o incomodam. Uma toalha cobre as costas nuas da criança e sua cabeça repousa na segurança da mãe. Mãe é colo. Pedro nem de longe lembra o menino arteiro e festivo de minutos antes. Cansou de levar o peso das coisas. Uma criança de dois anos não deveria ter fardo nenhum para transportar. Mas tem. É preciso entender e respeitar a carga de cada um.
A água está hostil. As ondas encrespadas surram o casco da embarcação. Nos equilibramos naquele marulhar sonolento, à espera dos peixes. Carlinhos desiste da pescaria e resolve se sentar ali perto de nós, ajudando na troca de anzóis. Estamos todos, até onde possível, em silêncio. Bebericamos uma cerveja enquanto os lambaris se escondem na bacia. Em breve serão iscas. Meu irmão, mais experiente, já está no terceiro tucunaré. Não temos inveja, pois a bebida está gelada e o dia está bonito.
É o último dia do ano, embora não saibamos ao certo o que isso significa. Não há ninguém saudoso, aparentemente. O vento se esfrega em nossa cara. De repente, algum animal espreita entre os arbustos. É raro algo silvestre se esgueirar pelos barrancos. Há muitos resorts transgredindo todas as leis de conservação ambiental. O bom é estar bem perto do rio e algumas toneladas de concreto não fazem diferença em nada. Algumas multas não tiram a vontade de viver. É o que devem pensar.
A chuva nos rodeia e um chuvisco nos pega de surpresa, nos refrescando. Há cerveja para todos e ela está gelada. Pedro vai para o colchão arrematar o sono. Miltinho cochila na proa. Dali a pouco, se as traíras não aparecerem, iremos para outro ponto. Ainda não se consegue interpretar precisamente o comportamento dos peixes, de forma que é preciso esquadrinhar o rio. As linhas se entrelaçam, mas não importa. Recolhemos os anzóis e trabalhamos os nós.
De vez em quando uma canoa atravessa. Um barco. O movimento não é grande. Esperávamos mais gente no último dia do ano. Não que desejássemos um rio cheio de naus. Sei que em breve haveria um réveillon, mas isso não me comove. Os calendários, como bem se sabe, são todos ficção. E só me sensibilizam ficções mais elaboradas. Quantos papas se meteram nessas minúcias? Quantos legisladores? Nem a simbologia do ano novo é instrumento que valha.
Em breve seria réveillon e eu talvez dormisse um pouco mais cedo do que de costume, devido ao barulho estúpido de rojões manchando o céu. Não gosto de ruídos inúteis. Findo o passeio, convoco Ana e Helena. Minha mãe também retorna conosco. Com o correr dos anos, não nos importamos mais com essa história de ano novo. Calendários são ficção. E o tempo?




sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Crônicas do Jarbas











         
EVENTO SUPRAPARTIDÁRIO 
                                                                                                                            Jarbas W. Avelar


Uma crise de âmbito nacional levou a classe política a convencionar um momento de trégua, nos embates por interesses partidários e regionais, e a criação de uma comissão mista, formada por representantes de todos os partidos políticos e de todos os estados da federação.

Acordados quanto à pauta da reunião, ao dia e ao local, onde realizá-la, para lá se dirigiram políticos de todos os Estados.

Em virtude do horário, que já se avançava noite adentro, exaustos e convencidos da impossibilidade de esgotar a pauta, às 23 horas, suspenderam a reunião para uma pausa, acordado seu reinício no dia seguinte, às 8 horas.

Todos restabelecidos, bem trajados, com ares de quem dormira um sono repousante e reparador, dirigiram-se ao local da reunião.

Entretanto, a aparência dos representantes da comissão do Estado de Minas Gerais despertou a atenção dos demais. Os mineiros estavam com olheiras, barba por fazer, cabelos desalinhados e a mesma roupa amarfanhada do dia anterior.

Logo, logo, foram tomados por intensa preocupação no sentido de se precaverem em relação aos mineiros. Tudo indicava que, em vez de  descansar, capciosos e velhacos como são na política, passaram a noite, trabalhando, elaborando estratégias, para lograr alguma vantagem para Minas, em prejuízo dos demais Estados.

Este consenso fez com que um dos participantes, que desfrutava de relativa liberdade junto aos representantes de Minas, se aproximasse de um deles e, em conversa ao pé do ouvido, perguntou:  O que a bancada de vocês ficou fazendo a noite toda, que não tiveram tempo para descansar, fazer a barba e se trocar?

Também ao pé do ouvido, o mineiro respondeu:  Lá em Minas, quando um grupo de pessoas se encontra para conversar, o primeiro que deixar o grupo é “queimado” pelos demais. Em razão disto, ninguém foi dormir.              
     
*Jarbas W. Avelar
Advogado e Escritor


 
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