terça-feira, 23 de julho de 2013

EXCLUIR



*Maria Adelina Vieira Cardoso e Gomes
cronicatijucana.blogspot.com.br



“Excluir significa expulsar do mundo dominante.
Significa colocar fora dos parâmetros e normas que regem as relações sociais.
Excluir não significa apenas marginalizar, e sim desconsiderar a existência humana.”

EXCLUSÃO-CAUSA-EFEITO

Desde a colonização do Brasil criou-se o mal costume de agregação, de grupos afins,confinados sobretudo sobre objetivos afins e antes de tudo em causa própria.
Troca de favores, nomeações em altos cargos, doações alvissareiras, tudo isso custeado pelo preço alto dos tributos pagos pelo trabalhador Brasileiro.
Desde então criou-se a alienação,e  a exclusão.
A alienação e exclusão que desumaniza,que embrutece,obscurece a esperança, causa ira e indignação.
Assim sendo, país que exclui e não pratica justiça social,país em desequilíbrio social.
Haja visto hoje nas ruas e nos semblantes dos sensíveis e marginalizados a invasão dos espaços públicos, para exigirem governo de fato, para dias melhores,onde a consideração possa realmente colocar em prática a cidadania de Brasileiros e Brasileiras fiéis mantedores dos cofres públicos.

Maria Adelina Vieira Cardoso e Gomes
Tecnologa em Turismo
Membro da ALAMI

domingo, 9 de junho de 2013

Inauguração do Cine Capitolio

*Enio Ferreirta


“No cinema viajo longas terras, vejo, aprendo, adquiro em instantes uma experiência que em anos não poderia alcançar”
Rui Barbosa 

                   México dos meus amores

O ano é 1.956. A década é de 50. Os anos dourados. A Europa, eufórica, se recupera das mazelas deixadas pela 2ª. Guerra Mundial. Tudo é bonito. A França dita a moda, a Itália atrai os turistas. As potencias, Estados Unidos e União Soviética, inventam a “charmosa” “guerra fria” e, isso inspira a imaginação dos cineastas que, então, aproveitam e saturam o mercado do cinema com os filmes de contraespionagem e ganham rios de dinheiro.   

O Brasil vive a expectativa do governo J.K. Na cidade de Cachoeiro de Itapemirin um adolescente de 15 anos, Roberto Carlos, canta em programas de auditório e sonha em ir para São Paulo gravar um disco.    

A nação ainda chora a Copa do Mundo perdida para o Uruguai. Com o placar de 7 a 1 o Santos vence o Corinthians de Santo André e um desses sete gols quem faz é o juvenil de 15 anos, Pelé, que daí a dois anos retornará da Suécia trazendo a taça Jules Rimet nas mãos e nos olhos o brilho da paixão pelas  loirinhas suecas.   

Ituiutaba ferve. O calor de 40 graus torna mais intenso o vermelho em nuvens de poeira. A fama de “a capital brasileira do arroz” atrai gente de várias regiões. Do Nordeste carradas de nordestinos chegam já contratados para as lavouras. Sob a sombra do ingazeiro, à margem esquerda do Rio Tijuco, no auge dos seus 15 anos, o menino Luiz pesca piabas, faz planos de ir para a capital, cursar faculdade,  escrever contos e já se antevê entre os mais importantes escritores da nossa Literatura.       

Na Rua 20 se ergue o majestoso Cine Capitólio. Na Rua 22, velho e humilhado, o Cine Ituiutaba fecha as cortinas e passará um período de reformas.      

(No confortável e moderno Cine Capitólio os cinéfilos tijucanos irão assistir, por anos a fora, importantes produções cinematográficas americanas, italianas, francesas. Mas as maiores bilheterias ficariam por conta de filmes brasileiros como “O Ébrio” de Vicente Celestino e “Tristeza do Jeca” de Mazaroppi).

A estréia do Cine Capitólio acontece nesse ano de 1.956, no dia 31 de março, sábado, com o filme “México dos meus amores”, um romance filmado no ano de 1.953, dirigido por Norman Foster.
Ainda em casa, uma hora antes da primeira sessão, o jovem Dimas Franco põe a sua melhor roupa para assistir o filme, sem saber, ainda, que num futuro distante iria receber o Troféu Premio Mérito Cultural, concedido pela ALAMI, como o mais importante cinéfilo de Ituiutaba.
      
Sobre o filme “México dos meus amores”:
Duração: 1 h, 43 minutos
Elenco: Ricardo Montalban, Vittorio Gassman, Yvone De Carlo, Cyd Charise   

Sinopse

A estória se passa em Columba, uma cidadezinha mexicana, onde uma bela jovem, Maria (Yvonne De Carlo), é mal vista apenas pelo simples fato de não fazer parte de alguma família ilustre. Mas a população não imagina que Alejandro Castillo (Vittorio Gassman), que pertence à família mais tradicional da cidade, é apaixonado por Maria. Paralelamente, por causa de uma tola rivalidade que existe entre Columba e Milpa Verde, dois jovens não podem declarar seu amor.





quarta-feira, 22 de maio de 2013

O olhar de decote




O olhar de decote
(Arth Silva)

A verdade é que a mulher possui um gene tão oposto quanto necessário.
Que te faz “esquecer das horas e abusar das demoras”, só pra ficar mais com ela e, depois de muito diálogo, serem pegos calados, admirando o interior de cada um. Ali o idioma falado não é importante, inglês, português, francês, não importa; sua língua preferida é a dela.

Muitas vezes, ela te seduz com detalhes e te abandona quase que por reflexo enquanto você finge que não teve culpa. Ao lado delas, levamos alguns segundos para nos apaixonarmos e uma vida inteira pra conseguir esquecer.
E, mesmo diante de pretéritos imperfeitos junto a elas. Continuamos cadentes pela fragrância da certeza de que a mulher não é triste nem trágica, é um mistério indispensável; seu sorriso acentuado e o beijo menta temperam o vício doentio que nos embriaga a alma, e enche nosso copo de anseio pela próxima dose.

Talvez todo esse fascínio tenha começado quando a Terra era confusão, treva e caos, exatamente como agora. Daí nos próximos seis dias, deus concebeu as ervas, sementes, o sol, a lua, os animais e Adão, que era o homem perfeito, até o dia que deus tirou-lhe uma costela para criar a mulher e ele ficou incompleto. Por isso hoje, nós homens precisamos tanto de uma mulher pra nos completar, ela tem aquilo que nos falta. Somos descendentes desse bíblico transplante de órgãos.
Depois disso o casal foi punido por desobedecer às ordens do chefe. Punição severa e injusta essa, afinal: como punir um casal que não teve infância pra aprender bons modos?

Mas enfim, desde o inicio aquele requinte erótico que provoca um solo de bateria no seu peito e parece justificar cada instante é algo tão surreal e mágico como um flerte acidental.

O beijo de pipa que voa pelo céu da sua boca.
Aquele sorriso de tudo ou nada que completa a sua gargalhada.
Sem falar no jeito único que só ela tem: meio flor, meio bandida.
E o olhar. Ah, o olhar! Existem mulheres cujo olhar é um decote. E convenhamos, o decote atrai bem mais que a nudez. 

Algumas mulheres são uma espécie de NADA que TUDO tem.

Lutam contra o tédio da perfeição.  Abraçam-nos com palavras e nos acolhem com o olhar.  A mulher quando quer, faz do sorriso seu melhor batom e o usa pra escrever a vida nos nossos lábios. E o mais importante, você a adora, não pelas qualidades e sim, apesar dos defeitos.

Dentro do seu abraço, pela eternidade de cada segundo, você não quer ser melhor do que os outros, mas melhor para si. É como sempre digo: O amor só existe (leia: presta) quando encontramos alguém, que nos transforme no melhor que podemos ser.

Sei que muita gente deve estar pensando: “poxa, ele só fala de mulher, e o mundo não é só isso”. Tudo bem pessoal, é que me esqueci de mencionar na narração bíblica que, no início, deus criou o Homem em três formatos: O homem, a mulher e o fã de Restart.

O leitor poderá ter esse mesmo fascínio que tenho pelas mulheres só que por diferentes gêneros.  Mas aqui, talvez por falta de conhecimento, me limito apenas aos pensamentos artesanais sobre o gene XY.

Esse gene feminino que tem o sorriso maior que sua altura.
Cuja companhia é o endereço certo pro melhor abraço.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Amados Mestres, obrigado

                                                                 
O mundo moderno é o mundo da informação, mas não é o da educação. Somos bombardeados, diariamente, pelos inúmeros veículos de comunicação de massas com os mais diversos tipos de notícias, boatos e balelas, provocativas e polêmicas, rotuladas de ideias novas. São informações criadas pela irresponsabilidade dos exibicionistas, mercenários, aduladores, deformadores de caracteres, sempre apoiados no direito à liberdade de imprensa ou nas faculdades artísticas. E conseguem adulterar valores de espírito conquistados no lar e nas escolas, iludindo gerações promissoras e jovens desprevenidos, atraídos pelo que julgam ser avanços de uma época.
Despersonalizam-se todos diante de mensagens ricas de conteúdo lúdico, mas que promovem o desvirtuamento da verdadeira educação, invertendo valores necessários ao desenvolvimento intelectual, mental e espiritual da juventude. Histórias mal contadas nos filmes e telenovelas levam adolescentes ingênuos e despreparados a errôneas interpretações e piores imitações. O rádio, indiscutível formador de opinião, felizmente não peca pelos excessos, todavia o cinema e a televisão na busca de sucesso e audiência, utiliza o recurso das imagens para atiçar a libido dos incautos, despertando o animal que mora em nós, banalizando o ato do amor e incentivando a violência. E em sua defesa repetem o mesmo chavão de sempre, acusando seus detratores de falsos moralistas.
A falta de uma educação adequada faz com que o jovem perca o interesse pelo raciocínio lógico, recusando pensar por si próprio, deixando-se seduzir pelos dissimulados profetas da comunicação. É preciso retomarmos a luta pela educação no lar e o seu reforço na escola, para que possamos formar num futuro próximo o homem de bem, aquele que vai cumprir um roteiro de vida e sair vencedor, alcançando a meta final sem medos, sem remorsos, sem arrependimentos. E a vida é tão curta!...
A educação é uma ilha paradisíaca, para onde podem ser conduzidos os privilegiados que souberam optar por ela. A escola é a nau que os conduz. Tripulantes, mestres e contramestres ajudam na missão. O audaz timoneiro que enfrenta a volúpia das ondas para manter a rota traçada é, sem dúvida, o professor - temerário condutor de jovens viajantes à procura do seu destino. Que Deus o torne imune às decepções de uma carreira mal remunerada e cheia de obstáculos.
Amados mestres, obrigado.
Saavedra Fontes

quarta-feira, 20 de março de 2013

O medo, de um sobrevivente, picado por um mosquito...

Wilter Furtado
               Esta estória, tem que ser contada logo, senão ela pode morrer, juntamente com o único sobrevivente de tantas tragédias. Aconteceu em "Bobil", um País longínquo, habitado por um povo feliz. Naquele País, existiam vários hospitais públicos, com verbas do dinheiro do povo, suficientes, permitindo-lhes, sempre, ampliação e modernização de equipamentos, UTIs, instalações, ambulâncias, fornecimento de medicamentos, e; sobretudo, servidos por profissionais extremamente capacitados, em todas as especialidades médicas. Todos os profissionais, trabalhavam em horários humanamente suportáveis, eram bem remunerados, e também, muito felizes. Atendiam, e assistiam toda população, principalmente a população carente, rigorosamente em tempo e hora, marcados, com requintes de riqueza, atenção, respeito à vida e à dignidade humana. Todos eram iguais, como previa, a Constituição do "Bobil"!
               É bem verdade que aqueles hospitais, jamais estavam lotados, porque as políticas educacionais, de investimentos, de saneamento básico e de infraestruturas, de saúde preventiva e de pesquisas, eram tão efetivas, que pouca gente ficava doente. Quando ficavam, não eram casos complicados. Ah! aqueles hospitais, eram dirigidos por administradores, profissionais de carreira, sem vinculação política. Suas gestões, eram auditadas, as contas eram transparentes, e publicadas com regularidade. Mas, de repente, tudo estava ficando muito sem graça, porque a saúde daquele povo, era tratada, apenas como saúde, e com seriedade. Depois de muitas reuniões de bastidores, os políticos concluíram que ninguém, se não fosse político, conseguiria discutir a saúde, com tanta eloquência, sabedoria e convicção. A saúde, é coisa muito chata, quando não é tratada como campanha política, ou fonte de dividendos políticos. E assim, a saúde, no "Bobil", não resistiu aos sinais de modernidade. Precisava ser "socializada" e potencializada, como fator político. Precisava ser transformada, em projeto do poder.
               Foi ai, que a primeira desgraça, abateu-se sobre "Bobil". Contrariando a própria Constituição, a decisão política foi de "socializar" a saúde, para atender - leia-se, dominar - apenas, as classes pobres da população. O resto da população, que "se dane"! Para isso, criaram um tal de SUS - "Sistema Único da Safadagem", substituindo a educação, os investimento em infraestruturas, o saneamento básico, e tantos outros programas. Era um belo e enorme projeto, e que só os políticos saberiam gerir. E isso foi feito, substituindo os hospitais, criando-se inclusive, uma aproximação maior do político, com as classes menos favorecidas através dos P.S - "Prontos Sofrimentos", também geridos por políticos. Afinal, quem deve ficar mais próximo do povo, a saúde, ou os políticos? A partir daí, as verbas, embora maiores, já não eram suficientes. Os hospitais foram sucateados, os profissionais da saúde foram desvalorizados e desestimulados, ficando sem condições de trabalho. Era um palco de horrores. Faltavam remédios, e o que se via, cotidianamente, eram cenas horríveis de pessoas moribundas, espalhadas nos corredores; eram pavorosos, os ais, e os alaridos, de corpos contorcidos e desprotegidos, a espera de uma vaga, de um médico, de uma cama, e de um alivio para a dor da doença. Era chocante!          
               As coisas foram piorando, e o povo não tinha mais, disposição para trabalhar. Era melhor, ficar doente e assistido. As cidades, se transformavam-se em montanhas de lixo, que sem espaços adequados, ou providências enérgicas, foram se espalhando, para os terrenos baldios de especuladores, e; para o entorno das periferias, rumo à zona rural. Novas doenças surgiram, e espalharam-se rapidamente, agora, sem limites territoriais. Abria-se assim, espaços, para o primeiro ataque, de um exército de mosquitos invasores, denominado carinhosamente de "exército dengoso". Esse narrador, como a maioria da população, não conseguiu ficar ileso, da sensação de que poderia morrer, sofrendo, por dias e dias, dos terríveis efeitos daqueles ataques. Por Deus, e com a ajuda de um único defensor, chamado Tylenol, sobreviveu.
               Dai para frente, as desgraças espalhadas pelo "exército dengoso", não pararam de acontecer, principalmente nos períodos chuvosos. O "dengoso", já não teme mais, o único tanque existente no País para combatê-lo, conhecido como "Fumacê". Onde tem fumaça, é sinal de que tem fogo! Mais uma vez, esse narrador, impotente, desprotegido, sem saber como se defender, foi novamente atingido. Mais sofrimento, mais tensão, mais medo. Está apavorado! O medo maior, agora, é de que esse "exercito" de mutantes, construa, já no próximo ataque, e antes de efetivas ações dos políticos, resistências ao único herói nacional, Tylenol.  Quem, irá continuar a estória, do "Bobil" ?       
Wilter@com4.com.br    

segunda-feira, 11 de março de 2013

O que será o Amor?




O que será o Amor?
(Arth Silva)

Hoje vi um ato de amor verdadeiro.
Uma filha enquanto andava pela rua ao lado da mãe, ergueu os olhos em direção a ela e gentilmente tocou seus cabelos sobre a orelha como que arrumando algo, mesmo que os fios do cabelo da mãe tenham ficado quase que imóveis. A mãe baixou a vista gentilmente, fitou a filha e sorriu com os olhos, agradecendo o gesto.

O amor está nisso. Nos pequenos detalhes quase invisíveis a olho nu. São simplicidades que os olhos não veem e que só a alma pode enxergar. Quando você ama alguém você faz isso quase sem perceber. Passa a mão só pra sentir o calor. O amor é um instinto.
Amar é retocar a perfeição.

Querer largar tudo pra ficar com aquela pessoa? E dizer que deve deixar o sentimento falar mais alto? Isso não é amor. É paixão.
Amor é você gostar de alguém e fazer planos para seu futuro ao lado dela. Cuidar dos mínimos detalhes para que o plano habilmente arquitetado se realize.
Amar é se fazer concreto para edificar um sonho.
Paixão é querer dividir um momento, um mês, uma cama. Amor é querer dividir uma vida.
A paixão faz seu coração disparar. O amor faz seu coração bater em compassos firmes, no ritmo da sua música preferida.
O amor é impessoal, não respeita credo, cor ou classe social, por isso, muitas vezes, o que não está à venda é que faz o coração bater (exceto o marcapasso, claro).

Muitos reclamam, principalmente as mulheres: “Ah! Ainda não achei o homem perfeito! Por isso tô solteira!”
Caso você pense assim, desista. Isso é uma ilusão utópica de menina ingênua.
Só queira encontrar a pessoa perfeita, quando você também for perfeito. E convenhamos, aquelas suas manias esquisitas não se encaixam na categoria Perfeição.

Costumo dizer que o amor é como um quebra cabeças. Onde todos são peças imperfeitas com lados assimétricos e confusos. Durante a vida encontramos diversas peças que não se encaixam bem em nós por mais que tentemos. Até o dia que você encontra aquela peça rara, também imperfeita, com um formato rebuscado, mas que se encaixa perfeitamente nas suas laterais incorretas e juntos formam uma linda figura.
Diante disso, por ironia do universo, muitas vezes são seus defeitos que te fazem mais perfeita.

Saiba viver a eternidade a cada instante. A vida é muito curta para não se gastar cada segundo tentando ser feliz.
O amor nasce nos detalhes. Nos pequenos pontos que apontam um sorriso. No olhar fixo por 3 segundos. Num gesto bobo de gentileza despercebida. Amar é ver o invisível, ouvir o inaudível, tocar o intangível.
Amar é ganhar em se perder, tentando se encontrar.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Crônicas de José Queiroz


Voltando a pé para casa
*Jose Queiroz

Marcolino, sem dinheiro, teve que voltar para casa à pé. Ele que mora num bairro distante foi ao centro da cidade fazer algumas compras, pagar contas de água, luz e telefone e, ainda, alguns carnês.

Quando tudo terminado, lá pelas 4 horas, tinha que voltar para casa. Marcolino notou que não tinha dinheiro para pagar o ônibus de volta. Como não conhecia quase ninguém na cidade (havia vindo há poucos meses de uma cidade menor), para pedir alguns trocados emprestados para a passagem, ficou sem saber o que fazer.

Não havia trazido o cartão do Banco, procurou no bolso e notou que só tinha uma folha no talão de cheques; sabia que no ônibus não aceitavam pagamento em cheque, então foi a um bar, pediu um lanche, comeu e deu um cheque de cinco reais para pagar (a despesa havia ficado em tres reais), dizendo ao balconista: O troco é para pagar o ônibus...

O garçom sorridente, agradeceu, dizendo que era a primeira gorjeta que ganhava naquele dia... Marcolino, sem saber o que dizer, retirou-se sem o dinheiro da condução... Voltando para a casa a pé, chegou quase a noite, morto de cansado e nervoso, lembrando da cidadezinha de onde tinha vindo, lugar onde todo mundo conhece todo mundo!...

*Jose Queiroz
Professor de História - aposentado.
 
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